A Universidade das Periferias

A UNIperiferias se propõe a superar as formas tradicionais de como se estrutura o conhecimento, diferente das instituições clássicas estimadas como fonte da produção do conhecimento, principalmente as universidades, que se encontram dominadas pelo academicismo; pela hierarquização do saber; e pela raridade de estudos e intervenções que tratem de questões que afetam o cotidiano, em particular o dos grupos sociais periféricos. A instituição tem por propósito contribuir para a compreensão das formas, funções e processos que caracterizam os territórios periféricos, levando em conta as práticas sociais dos seus sujeitos, e suas formas de inserção no mundo social e difundir metodologias e tecnologias sociais que permitam ampliar as possibilidades dos sujeitos oriundos das periferias, especialmente, e o seu lugar político na realidade contemporânea.

Resultado do compromisso do Instituto Maria e João ALeixo (IMJA) na construção de um movimento Internacional de Periferias que articule pesquisadores associados, ativistas sociais e produtores culturais para a criação de processos colaborativos que permitam ampliar os estudos e as proposições de políticas de desenvolvimento territoriais, um dos objetivos centrais da UNIperiferias é a construção da Rede Internacional de sujeitos e grupos que se dedicam a estudar e construir metodologias de intervenção na cidade a partir da perspectiva das periferias.

Eixos de ação

As ações da UNIperiferias são construídas a partir de três eixos interconectados: Formação, Pesquisa e Comunicação. Durante nosso processo de criação optamos por não construir uma instituição de altos estudos com cursos de graduação. Desse modo, não nos propusemos a cumprir a série de exigências firmadas pelo Conselho Nacional de Educação – CNE – e pelo Ministério da Educação – MEC para funcionar. Apesar dessa opção, nos reconhecemos como uma instituição de formação, de pesquisa e de intervenção social, afirmando todas as características de uma instituição de ensino universitário.

Afirmamos a busca da excelência como um objetivo central, mas pensando-o como um processo de superação da lógica meritocrática e hierarquizada que caracterizam as instituições formais reconhecidas pelo Estado e pelo Mercado. Somos uma organização educadora da sociedade civil, reconhecendo que há uma pluralidade de saberes e práticas no mundo social e que o maior número possível deve estar numa instituição como a nossa, sendo reconhecido, então, tanto os notórios saberes como os notórios fazeres que dão sentido pleno às realidades sociais. Os desafios colocados para as periferias no mundo contemporâneo também apontam a necessidade de ampliar a qualificação técnica, teórica e metodológica dos sujeitos sociais, em particular os oriundos dos territórios periféricos.

Formar intelectuais engajados na compreensão da realidade social e capazes de atuarem como protagonistas em processos de intervenção na realidade são demandas colocadas para a construção de uma sociedade sustentada no reconhecimento das diferenças e busca de reduzir as desigualdades. Por isso, buscamos ter entre nossas educandas, pessoas que não são necessariamente reconhecidas pelas organizações acadêmicas tradicionais em termos de titulação, mas são responsáveis pela produção de conceitos, metodologias e tecnologias sociais que contribuem para melhorar a qualidade de vida e ampliar o leque de direitos das moradoras.