Significações da periferia: Representações, confluências e transgressões

O curso Significações da periferia: representações, confluências e transgressões busca compartilhar, a partir da crítica aos paradigmas hegemônicas, diferentes repertórios conceituais e de experiências corporificadas dos significados plurais das periferias urbanas na contemporaneidade. Para além da desconstrução de estereótipos e estigmas que marcam sujeitos e territórios periféricos, o curso deseja mobilizar outras possibilidades de leitura, reconhecimento e afirmação das periferias como potências de invenção de representações socioculturais, de confluências das diferenças de ser e de transgressões políticas de desigualdades sociais e distinções corpóreo-territoriais.

Objetivo:

O curso proposto é um convite ao debate qualificado de reposicionamento das periferias como centralidades de formulação de utopias do Direito à Cidade. Trata-se, portanto, do exercício de construção compartilhada de narrativas apoiadas em novos referenciais teóricos, políticos, culturais, corpóreos e territoriais para pensar, viver e transformar o mundo da vida, tendo como referência os sujeitos em suas periferias múltiplas existênciais.

MÓDULO I - REPRESENTAÇÕES DA PERIFERIA

1. Das ausências às potências das periferias: Representações em disputa

Duração: 47’49”

Docente: Jailson Sousa e Silva.

Biografia: Diretor executivo do IMJA.

Possui doutorado em Sociologia da Educação pela PUC e pós doutorado pelo John Jay College of Criminal Justice – City University of New York. Professor associado da Universidade Federal Fluminense e fundou o Observatório de Favelas do Rio de Janeiro. Tem experiência uma série de pesquisas e trabalhos publicados na Estudos e Políticas Urbanas, atuando principalmente nos seguintes temas: políticas sociais, favelas, periferias, violência, educação e tráfico de drogas.

Resumo: Quais as representações que orientam nosso olhar? Esse é um dos questionamentos que permeiam as discussões dessa aula e por onde Jailson Silva começa a costurar ideias e reflexões sobre como as representações sociais são construídas com base nas ideologias, paradigmas e conceitos que estabelecem visões distorcidas do real quando pensamos em periferias, favelas e nos cidadãos e cidadãs pertencentes neste lugar. Neste vídeo a proposta é elaborar uma reflexão crítica sobre o “paradigma da carência” na construção hegemônica das representações das periferias sobre o conceito de periferia centrado na potência inventiva e plural dos territórios populares colocando em debate o sentido da cidade no contemporâneo na perspectiva das significações complexas das periferias urbanas.

Leituras complementares: O que é periferia, afinal? Carta redigida e aprovada Seminário Internacional O que é periferia, afinal: Instituto Maria e João Aleixo. SOUZA E SILVA, J. Por que uns e não outros? Caminhada de Jovens Pobres a Universidade. Rio de Janeiro: 7letras, 2011. SOUZA E SILVA, J., BARBOSA, Jorge Luiz. Favela: alegria e dor na cidade. Rio de Janeiro: X Brasil/SENAC, 2005.

2. Representações socioculturais da periferia

Duração: I parte 29’07” / II parte: 35’27”

Docente: Ary Pimentel.

Biografia: Licenciado em Letras (Português-Espanhol e respectivas literaturas) pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ. MESTRADO (1995) e DOUTORADO (2001) em Literatura Comparada pela Faculdade de Letras – UFRJ. Pós-doutorado pelo PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) – Faculdade de Letras – UFRJ (2016).Desde 1999, professor de Literaturas Hispano-Americanas da Faculdade de Letras da UFRJ, onde ministra cursos para alunos de Português-Espanhol e Português-Literaturas. Professor do Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas. Tem experiência na área de Letras (ensino e pesquisa de Literatura). Desenvolve os projetos de pesquisa: DO PROIBIDÃO AO FUNK OSTENTAÇÃO: negociando um lugar na cena musical carioca; e FRONTEIRAS DO LITERÁRIO E O LOCAL DA CULTURA NA AMÉRICA LATINA: Território e subalternidade em debate. Em 2016, concluiu estágio de Pós-Doutorado no PACC da Faculdade de Letras – UFRJ com a projeto; Vozes proibidas nas margens da cidade: performance, circuito e figurações dos infames no Funk Proibido.

Resumo: Esta aula, dividida em duas partes, tem por objetivo analisar a cena cultural e artística das periferias na construção de identidades plurais no contemporâneo, as multiplicidades culturais dos territórios populares e produção de narrativas estéticas como invenção de representações de potências da periferia. As reflexões aqui propostas nos ajudam a entender como as representações nos permitem o contato com o mundo e como elas constroem as identidades periféricas por meio das representações do real e simbólicas.

Leituras complementares: FERRÉZ (Org.). Literatura marginal: talentos da escrita periférica. Rio de Janeiro: Agir, 2005. FLUSSER, Vilém, 1920. Filosofia da caixa preta. São Paulo : Hucitec, 1985. SOUZA, Marcelo Lopes. Território: Sobre Espaço e Poder, Autonomia e Desenvolvimento. In: CASTRO, Iná Elias, GOMES, Paulo César da Costa, CORRÊA, Roberto Lobato (orgs.) Geografia: Conceitos e Temas. 5ª edição. Bertrand: Rio de Janeiro, 2003. FRAGA, Carlos Tadeu. Até quando? In: SILVA , Jailson de Souza. RIPPER, João Roberto. Rio de Janeiro: Observatório de Favelas, 2005,p.7. SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. Tradução de Rubens Figueiredo. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2003. DALCASTAGNÈ, R. A personagem do romance brasileiro contemporâneo:. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n. 26, p. 13-71, 14 jan. 2011.

3. Narrativas da Periferia

Duração: 47’49”

Docente: Eliane Costa

Biografia: Consultora nos campos da Gestão Cultural, Cultura Digital, Políticas Públicas e Políticas de Patrocínio. Foi, de 2003 a 2012, Gerente de Patrocínios da Petrobras, responsável pela concepção, implantação e gestão do Programa Petrobras Cultural. Coordena o MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão da FGV-Rio. Doutora em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia (HCTE/UFRJ), Mestra em Bens Culturais e Projetos Sociais (CPDOC/FGV), com MBA Executivo em Comunicação (ESPM/2003) e Pós-Graduação Stricto Sensu em Engenharia de Sistemas (COPPERJ, 1984). Graduada em Física (PUC-RJ, 1974), com extensão em Análise de Sistemas (Petrobras, 1975).

Resumo: Esta aula tem por objetivo identificar a apropriação e uso de tecnologias de comunicação como mediação de narrativas da periferia e de como a cultura digital propiciou possibilidades, valores, articulações, modo de agir e pensar mudanças essenciais na cultura e de paradigmas. Conceitos como Cibercultura e ciberespaço como território em disputa também são analisados bem como os meios e modos de comunicação na afirmação das periferias na cena sociocultural contemporânea e a criação de redes sociopolíticas: dos territórios ao Direito à Cidade.

Leituras complementares: LÉVY, Pierre. Cibercultura. (Trad. Carlos Irineu da Costa). São Paulo: Editora 34, 2009. FONSECA, Felipe. RedeLabs: Políticas Públicas para cultura digital experimental, 2014 . CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

MÓDULO Il - CONFLUÊNCIAS DA PERIFERIA

Docente: Nêgo Bispo ou Antônio Bispo dos Santos.

Duração: 25’42”

Biografia: Nasceu no Vale do Rio Berlengas (PI), criou-se no Quilombo Saco-Curtume (São João do Piauí/PI) e construiu uma trajetória de relevante atuação a partir de sua territorialidade, ancestralidade e cosmovisão quilombola. Lavrador; poeta; escritor; intelectual; ativista; militante; professor convidado em universidades; documentarista; liderança quilombola ou, como prefere ser chamado, um ‘relator dos saberes’. A partir de sua produção intelectual e militância política, desenvolveu não só uma crítica consistente ao modelo de sociedade imposta aos povos negros e populações de periferia, mas também procurou trazer à luz o longo histórico de luta das populações subalternizadas em busca da disputa de paradigmas de pensar e viver que ampliem a potência humana criativa.

Resumo: A partir da reflexão sobre os processos colonialistas que institui e legitima uma única maneira de se produzir conhecimento e representações sociais de humanidade, Nêgo Bispo nos mostra nesta videoaula, de que forma a sociedade pode transgredir a construção sociopolítica da memória, de maneira a valorizar os saberes, linguagens e escritas da periferia consideradas dentro deste paradigma monocultural e colonialista como subalternas.

Leituras complementares: SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, Quilombos: modos e significados. UNB. 2015. Disponível em: http://cga.libertar.org/wp-content/uploads/2017/07/BISPO-Antonio.-Colonizacao_Quilombos.pdf