Mídia Independente e aquele abraço

Jornalista francês, ex-diretor do Le Monde e diretor do Mediapart, ele que se colocou à disposição para participar de agendas em territórios populares como parte do quadro de sua vinda ao colóquio “A censura à prova do tempo”, realizado no Rio de Janeiro pela França no Rio — Consulado da França e o INSTITUT FRANÇAIS.

Por: Por Rodrigo Azevedo (rodrigo@imja.org.br) / Comunicação Instituto Maria e João Aleixo

Manhã de sexta-feira agitada, vai e vem intenso no Instituto Maria e João Aleixo, sediado na Maré, Rio de Janeiro. Todas e todos trabalhando em inúmeras frentes, entre elas, para receber — em alguns minutos, no Galpão Bela Maré, a visita do Edwy Plenel. Jornalista francês, ex-diretor do Le Monde e diretor do Mediapart, ele que se colocou à disposição para participar de agendas em territórios populares como parte do quadro de sua vinda ao colóquio “A censura à prova do tempo”, realizado no Rio de Janeiro pela França no Rio — Consulado da França e o INSTITUT FRANÇAIS.

Já no Bela Maré, Plenel chegou com um sorriso tímido, mas de uma simpatia… deixava no ar o prazer e a alegria de estar ali. Sentimentos que foram reafirmados em diversas falas, e, em especial, quando finalizamos a nossa conversa com um abraço fraterno, marcante.

Me pareceu impossível entrevistar alguém com tamanho repertório e com uma oralidade encantadora… as respostas se conectavam e, confesso, parecia mais um grande encontro entre amigos temperado por uma boa cerveja. Logo, foi uma boa conversa, não entrevista. Edwy sentou, recebeu o equipamento de transmissão simultânea e com olhar deixou todas confortáveis. Saudações e agradecimentos feitos, aquela abertura para diminuir o frio na barriga e a tremedeira nas mãos, afinal, na nossa frente, está um dos nomes mais fortes no jornalismo independente no mundo contemporâneo. Estou cara a cara com o criador e editor chefe do Mediapart, veículo que posiciona o seu trabalho pautado na apuração profunda e minuciosa, por levar a redação para as ruas, dentro das notícias, por investir em investigação e por se colocar sempre em busca do conteúdo independente, aqui repetindo suas palavras iniciais sobre o veículo que criou. Ele retribui, mais uma vez, com um sorriso forte, saudou todas e todos, agradeceu com as mãos no coração e só alterou o seu olhar de plena felicidade ao abrir a conversa sendo solidário à tragédia que vivemos recentemente com o assassinato da Marielle.

Poder noticiar de forma independente, além de um compromisso jornalístico, segundo Plenel, é o desdobramento de um projeto de sustentabilidade que se estrutura no convencimento do leitor de que somente com o pagamento pela notícia, com o investimento de cada um que acessa o Mediapart, seria capaz de produzir notícias e reportagens de interesse público. Plenel foi categórico ao afirmar que não enxerga outra forma de se trabalhar de maneira autônoma se não for por meio de uma proposta financeira que permita veicular notícias despreocupado com relações diversas, tais como anunciantes e os seus orçamentos publicitários. Em diversos momentos o jornalista pontuou o diálogo aberto com o seu público como uma estratégia dura, porém exitosa, para o sucesso do jornal. Criado em 2008, o Mediapart hospeda em sua página artigos da equipe editorial e também do clube, como chama os leitores que produzem conteúdos. Tratando de política e temas diversos, o veículo se consolidou financeiramente a partir de 2010, quando virou o quadro financeiro para positivo após alcançar uma média de 46 mil assinantes ativos, número que em abril de 2018 chegou a 150 mil. “Essa experiência do Mediapart”, compartilhar o jornalista francês, “pode e deve servir de inspiração para comunicadores populares buscarem a viabilidade das suas ações em comunicação. Pensar o caminho de engajamento financeiro e retorno por meio de conteúdo diferenciado, profundo e independente, são caminhos possíveis para que veículos independentes e populares possam se desenvolver”.

A conjuntura política mundial e, claro, brasileira, foi tema de muitos minutos durante o nosso encontro. A crise das instituições, segundo Plenel, passa também pela retomada do crescimento da desigualdade social, da falta de representatividade política por parte de uma minoria rica do país e, ainda, do monopólio dos meios de comunicação do Brasil que, como lembrou, no qual cinco famílias — comprometidas com uma política distante da implementada nos últimos anos no Brasil — concentram mais de 50% da totalidade dos veículos. Apesar do cenário duro, uma frase de superação marcou o nosso encontro: “Resistir é superar. Superar é avançar. Avançar é ir em frente. Ir em frente é ser feliz”.

O abraço do início se repetiu quando percebemos o avançar da hora já que, ao nosso lado, diversos convidados aguardavam o início da conversa aberta, entre eles, os jovens agitados e ansiosos pelo encontro que vieram da Cidade de Deus, onde participam da Associação Semente da Vida.

Fotos: Marcia Farias / Instituto Maria e João Aleixo e Imagens do Povo — Observatório de Favelas
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