ARTIGO: Projeto Pesquisadoras[1] da Educação Básica e Periferias – Outras formas de pensar a favela a partir da escola

Por Patrícia Santos** / Eixo de Formação e Pesquisa – Instituto Maria e João Aleixo

O projeto reconhece a escola pública em sua potência e busca apreender sua dinâmica interna e de seu entorno periférico a partir dessa condição inventiva e mobilizadora, reforçando uma perspectiva que leva em consideração os talentos e forças oriundas de territórios populares e sua construção de narrativas que desconstruam os tradicionais estereótipos sobre eles sustentados em seus desafios, vistos apenas como carências.

Importa sinalizar que estamos fomentando as produções de conhecimentos que podem também contribuir com outros possíveis horizontes para escola e vice-versa. Temos a certeza que não dá mais para pensar que favelas e periferias são lugares apenas de mediações exóticas, de produzir conhecimento por um lado. Ela é a produção em si, e esse olhar só é possível quando a gente olha para ela como potência que é um termo muito caro para nós.

Assim, estamos reconhecendo os desafios que se apresentam para todos nós na construção de outros possíveis modos de saberes e potências da própria periferia e que vai também ser reconfigurado no espaço escolar. E a necessidade de construir um diálogo que haja uma intervenção na realidade, apostando em outras lógicas de conhecimento e visibilizando a necessidade de pensar sobre uma sociedade pautada pela diferença, na qual se façam outras formas de valorização dos sujeitos e organizações que constituem as periferias.

Neste sentido, temos a pretensão de ir em busca de metodologias e práticas voltadas para “desnaturalizar” a apresentação social hegemônica a respeito das periferias[2] urbanas, nesse caso a partir do campo da educação e da escola pública como lócus de expressão dessas periferias. Desse modo, organizar uma rede de pesquisadoras e de escolas públicas de espaços populares é uma forma de fomentar um projeto que descaracteriza as lógicas e hierarquias sociais dominantes.

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[1] A fim de enfrentar os limites da linguagem sexista, o IMJA definiu utilizar o termo pessoa como pressuposto de referência para a classificação de gênero em seus textos. Assim, seguindo a regra gramatical, os termos que se seguem serão sempre expressos no feminino.

[2] A condição de sujeitos sociais da periferia nos permite estabelecer pressupostos, olhares e referências conceituais, metodológicas e técnicas distintas das elaboradas tradicionalmente nos grandes centros de produção sistemática do conhecimento dos países centrais. Para isso, é preciso romper com as hierarquizações tradicionais, que afirmam um protagonismo desses centros na construção de narrativas e teorias, inclusive sobre as periferias.

**Sou Patricia com segundo nome próprio: Elaine! E me completo de Pereira dos Santos, ou simplesmente mãe da Ashia e Mahin; tenho doutorado na área da educação, me descobrindo professora universitária. Meus interesses são em torno de temas periféricos com diálogo para a discussão de outras epistemologias, e onde juventude e raça estão atrelados às lutas (e por horas em luto) pelas injustiças raciais e sociais.

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