Comunicadores articulam criação de rede de narrativas de periferias latino-americana

Por: Por Bianca Pedrina ( bbpedrita@hotmail.com) / Coletivo de comunicadoras Nós, mulheres da periferia

Promover a visibilidade das múltiplas narrativas que vem da periferia e potencializá-las. Foi com esse desafio que jornalistas se reuniram nos dias 18 e 19 de maio, no Observatório de Favelas, na Maré (RJ), para discutir a proposta de criação da Rede de Narrativas de Periferias da América Latina.

Essa proposta foi discutida no Encontro Sul-Americano de Comunicadores das Periferias, impulsionado pelo Instituto Maria João Aleixo, com o apoio da Fundação Tide Setubal e Fundação Itaú Social/Instituto Unibanco.

Foram dois dias de trocas entre jornalistas e pesquisadores do Rio de Janeiro, São Paulo, Pará, Bahia, Pernambuco, Brasília, assim como de países latino-americanos como Colômbia e Argentina, que dividiram saberes e experiências sobre o fazer comunicação partindo de um local, a periferia.

Os coletivos debateram a proposta de criação de uma rede que tenha como desafio usar a potência política de suas narrativas. O ponto focal do encontro foi como essa malha de informação, hoje fragmentada no território, pode se fortalecer por meio de uma rede e servir de contraponto para os discursos já propagados pela grande mídia.

Para Jaguaracy Félix, integrante do Mídia Étnica, projeto de comunicação da Bahia, o Encontro serviu para troca de informações e conhecimentos das diversas realidades do Brasil e de outros países. “Percebemos que estamos diretamente conectados e nossas lutas são as mesmas”, salientou.

Segundo Jaguaracy, a proposta de criação da rede servirá para ampliar as narrativas já existentes na periferia e que acabam silenciadas pela grande mídia. “A criação dessa rede de comunicadores pode ajudar a multiplicar e fortalece nossos trabalhos, pois teremos maior acesso e possibilidade de compartilhar e trabalhar juntos, colaborar com as pautas de cada movimento integrante”, frisou.

O Encontro foi o terceiro realizado pelo Instituto Maria João Aleixo, sendo o primeiro gerador de uma carta de intenções e viabilidade de ações conjuntas, denominada “Carta da Maré”. O segundo se ampliou e denominou-se Encontro de Comunicadores do Brasil, e o terceiro se expandiu para a participação de comunicadores da America do Sul. Fruto do acúmulo desses encontros de comunicadores da periferia, o terceiro aprofundou a proposta de criação da rede.

Na avaliação do diretor do Instituto Maria João Aleixo, Jailson de Souza e Silva, esse encontro é um primeiro passo para a construção dessa rede de narrativas da periferia da América Latina. “Estivemos dois dias reunidos, trabalhando a questão política da comunicação, e especialmente produzindo metodologias e um plano para trabalhar de maneira articulada para a construção desse projeto”, concluiu.

Participaram do Encontro os movimentos de comunicação Periferia em Foco, de Belém (PA); Projeto Arrastão, de São Paulo (SP); Nós, mulheres da periferia, de São Paulo (SP); Mídia Étnica, Salvador (BA); Ruas, Brasília (DF); Grito na Luta, Recife (PE); La Poderosa, da Argentina; Casa das Estratégias, da Colômbia.

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